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19. Surge na França, A Paz de Deus e A Trégua de Deus . . . • 20. Surgimento da Cavalaria em prol da Igreja Católica . . . • 21. Surgimento do Termo e atitude de cavalheirismo . . . |
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1. ANGELUS - 11 de junho 2006
BENEDETTO XVI, ANGELUS, Piazza San Pietro, Solennità della Santissima Trinità, Domenica, 11 giugno 2006
2. Mensagem de Páscoa do Santo Padre
Cari fratelli e sorelle! In questa domenica che segue la Pentecoste celebriamo la solennità della Santissima Trinità. Grazie allo Spirito Santo, che aiuta a comprendere le parole di Gesù e guida alla verità tutta intera (cfr Gv 14,26; 16,13), i credenti possono conoscere, per così dire, l’intimità di Dio stesso, scoprendo che Egli non è solitudine infinita, ma comunione di luce e di amore, vita donata e ricevuta in un eterno dialogo tra il Padre e il Figlio nello Spirito Santo – Amante, Amato e Amore, per riecheggiare sant’Agostino. In questo mondo nessuno può vedere Dio, ma Egli stesso si è fatto conoscere così che, con l’apostolo Giovanni, possiamo affermare: "Dio è amore" (1 Gv 4,8.16), "noi abbiamo riconosciuto l’amore che Dio ha per noi e vi abbiamo creduto" (Enc. Deus caritas est, 1; cfr 1 Gv 4,16). Chi incontra il Cristo ed entra con Lui in un rapporto di amicizia, accoglie la stessa Comunione trinitaria nella propria anima, secondo la promessa di Gesù ai discepoli: "Se uno mi ama, osserverà la mia parola e il Padre mio lo amerà e noi verremo a lui e prenderemo dimora presso di lui" (Gv 14,23). Tutto l’universo, per chi ha fede, parla di Dio Uno e Trino. Dagli spazi interstellari fino alle particelle microscopiche, tutto ciò che esiste rimanda ad un Essere che si comunica nella molteplicità e varietà degli elementi, come in un’immensa sinfonia. Tutti gli esseri sono ordinati secondo un dinamismo armonico che possiamo analogicamente chiamare "amore". Ma solo nella persona umana, libera e ragionevole, questo dinamismo diventa spirituale, diventa amore responsabile, come risposta a Dio e al prossimo in un dono sincero di sé. In questo amore l’essere umano trova la sua verità e la sua felicità. Tra le diverse analogie dell’ineffabile mistero di Dio Uno e Trino che i credenti sono in grado di intravedere, vorrei citare quella della famiglia. Essa è chiamata ad essere una comunità di amore e di vita, nella quale le diversità devono concorrere a formare una "parabola di comunione". Capolavoro della Santissima Trinità, tra tutte le creature, è la Vergine Maria: nel suo cuore umile e pieno di fede Dio si è preparato una degna dimora, per portare a compimento il mistero della salvezza. L’Amore divino ha trovato in Lei corrispondenza perfetta e nel suo grembo il Figlio Unigenito si è fatto uomo. Con fiducia filiale rivolgiamoci a Maria, perché, con il suo aiuto, possiamo progredire nell’amore e fare della nostra vita un canto di lode al Padre per mezzo del Figlio nello Spirito Santo.
Queridos irmãos e irmãs!
3. Sexta-Feira Santa no Coliseu
Christus resurrexit! – Cristo ressuscitou! A grande Vigília desta noite fez-nos reviver o acontecimento decisivo e sempre actual da Ressurreição, mistério central da fé cristã. Círios pascais sem conta foram acesos nas igrejas para simbolizar a luz de Cristo que iluminou e ilumina a humanidade, vencendo para sempre as trevas do pecado e do mal. E, no dia de hoje, ressoam fortes as palavras que deixaram estupefactas as mulheres que, na manhã do primeiro dia depois do sábado, tinham ido ao sepulcro, onde o corpo de Cristo, descido às pressas da cruz, fora depositado. Tristes e desoladas pela perda do seu Mestre, tinham encontrado a grande pedra rolada para o lado e, entrando, viram que o seu corpo já não estava lá. Enquanto ali se encontravam incertas e desorientadas, dois homens com vestes resplandecentes surpreenderam-nas dizendo: «Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). «Non est hic, sed resurrexit» (Lc 24, 6). Desde aquela manhã, tais palavras não cessam de ressoar pelo universo como um anúncio de alegria que atravessa os séculos imutável e simultaneamente cheio de infinitas e sempre novas ressonâncias. «Não está aqui; ressuscitou». Os mensageiros celestes comunicam, antes de mais nada: Jesus «não está aqui»; não ficou no sepulcro o Filho de Deus, porque não podia continuar prisioneiro da morte (cf. Act 2, 24) e o túmulo não podia reter «o Vivente» (Ap 1, 18), que é a própria fonte da vida. Tal como Jonas esteve no ventre do peixe, assim Cristo crucificado permaneceu engolido no coração da terra (cf. Mt 12, 40) pelo transcorrer de um sábado. Foi verdadeiramente «um dia solene aquele sábado», como escreve o evangelista João (19, 31): o mais solene da história, porque nele o «Senhor do sábado» (Mt 12, 8) levou a termo a obra da criação (cf. Gn 2, 1-4a), elevando o homem e o universo inteiro à liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21). Cumprida esta obra extraordinária, o corpo inanimado foi atravessado pelo sopro vital de Deus e, rompidas as margens do sepulcro, ressuscitou glorioso. Por isso, os anjos proclamam: «não está aqui», não pode estar mais no túmulo. Peregrinou na terra dos homens, terminou o seu caminho no túmulo como todos, mas venceu a morte e de modo absolutamente novo, por um acto de puro amor, abriu a terra e escancarou-a para o Céu. A sua ressurreição, graças ao Baptismo que a Ele nos «incorpora», torna-se a nossa ressurreição. Tinha-o predito o profeta Ezequiel: «Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, ó meu povo, e vos reconduzirei ao país de Israel» (Ez 37, 12). Estas palavras proféticas assumem um valor singular no dia de Páscoa, porque hoje se cumpre a promessa do Criador; hoje, mesmo nesta nossa época caracterizada pela ansiedade e a incerteza, revivemos o acontecimento da ressurreição, que mudou a expressão da nossa vida, mudou a história da humanidade. Aguardam a esperança de Cristo ressuscitado, às vezes mesmo inconscientemente, os que ainda estão oprimidos pelos laços de amargura e de morte. Em particular, que o Espírito do Ressuscitado leve alívio e segurança na África às populações do Darfur, que se encontram numa dramática situação humanitária já insustentável; às da região dos Grandes Lagos, onde muitas chagas ainda não estão curadas; aos povos do Corno de África, da Costa do Marfim, do Uganda, do Zimbábue e doutras nações que anseiam pela reconciliação, pela justiça e pelo progresso. No Iraque, sobre a trágica violência, que impiedosamente continua a ceifar vítimas, prevaleça finalmente a paz. E paz desejo vivamente também para os que estão envolvidos no conflito da Terra Santa, convidando a todos a um diálogo paciente e perseverante que remova os obstáculos antigos e novos. A comunidade internacional, que reafirma o justo direito de Israel a existir em paz, ajude o povo palestinense a superar as condições precárias em que se encontra, avançando para a constituição dum verdadeiro e próprio Estado. O Espírito do Ressuscitado suscite um renovado dinamismo no empenho dos países da América Latina, para que sejam melhoradas as condições de vida de milhões de cidadãos, eliminada a nefasta praga dos raptos de pessoas e consolidadas as instituições democráticas, em espírito de concórdia e de solidariedade real. Relativamente às crises internacionais ligadas ao nuclear, chegue-se a um acordo honroso para todos através de negociações sérias e leais, e reforce-se nos responsáveis das nações e das organizações internacionais a vontade de realizar uma pacífica convivência entre etnias, culturas e religiões, que afaste a ameaça do terrorismo. É este o caminho da paz para bem da humanidade inteira. O Senhor ressuscitado faça-se presente em todo lugar com a sua força de vida, de paz e de liberdade. Hoje, a todos são dirigidas as palavras com as quais na manhã da Páscoa o Anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: «Não tenhais medo! ... Não está aqui; ressuscitou» (Mt 28,5-6). Jesus ressuscitou e concede-nos a paz. Ele mesmo é a paz. Por isso, vigorosamente a Igreja repete: «Cristo ressuscitou - Christós anésti». Que a humanidade do terceiro milénio não tenha medo de abrir-Lhe o coração! O seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em todo o coração humano. Agora Cristo está vivo e caminha connosco. Um mistério imenso de amor! Christus resurrexit, quia Deus caritas est! Alleluia!
Meditação de Sua Excelência Reverendíssima Mons. ÂNGELO COMASTRI
4. ÂNGELUS - 19 de março de 2006: Praça de São Pedro - Roma-Itália
Vigário Geral de Sua Santidade para a Cidade do Vaticano Presidente da Fábrica de São Pedro APRESENTAÇÃO Duas palavras para te acompanhar no caminho Ao percorrer o «Caminho da Cruz», impõem-se-nos duas certezas: a certeza do poder devastador do pecado e a certeza do poder regenerativo do Amor de Deus. O poder devastador do pecado: a Bíblia não se cansa de repetir que o mal é mal porque nos faz mal; de facto, o pecado é auto-punitivo, porque contém em si mesmo a sanção. Eis alguns textos muito elucidativos de Jeremias: «Foram após a vaidade dos ídolos, tornando-se eles próprios vãos» (Jer 2, 5); «Sirvam-te de castigo as tuas perversidades, e de punição as tuas infidelidades. Sabe, portanto, e vê quão funesta e amarga coisa é o haveres abandonado o Senhor teu Deus, e teres perdido o meu temor» (Jer 2, 19); «As vossas iniquidades alteraram esta ordem, os vossos pecados privaram-vos destes bens» (Jer 5, 25). E Isaías não lhe fica atrás: «Por isso, diz o Santo de Israel: “Visto que rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e na perversidade e nelas vos apoiais; este pecado será, para vós, como uma fenda que forma saliência numa muralha elevada, até que de repente, num instante, se desmorona; como se quebra uma vasilha de barro feita em cacos, sem piedade, de modo que dos bocados não reste sequer um caco para apanhar as brasas do braseiro, para tirar água da cisterna”» (Is 30, 12-14). E, dando voz aos sentimentos mais genuínos do povo de Deus, o profeta exclama: «Todos nós éramos como homens impuros, a nossa justiça como roupa manchada; murchávamos como folhas secas, as nossas iniquidades, como o vento, nos arrastavam» (Is 64, 6). Ao mesmo tempo, porém, os profetas denunciavam o endurecimento do coração que gera uma cegueira terrível e impede de notar a gravidade do pecado. Ouçamos Jeremias: «Desde o maior ao mais pequeno, todos se entregam à ganância desonesta; desde o profeta ao sacerdote todos procedem com dolo. Tratam com negligência as feridas do meu povo e exclamam: “Tudo bem! Tudo bem!”. Quando nada vai bem. Deveriam envergonhar-se pelo seu procedimento abominável, mas nem ao menos conhecem a vergonha, nem o que seja envergonhar-se» (Jer 6, 13-15). Jesus, entrando dentro desta história devastada pelo pecado, deixou-Se agredir pelo peso e violência das nossas culpas: por este motivo, ao contemplar Jesus, nota-se claramente quão devastador é o pecado e quão doente está a família humana: isto é, nós! Tu e eu! Mas – eis a segunda certeza! – Jesus reagiu ao nosso orgulho com a humildade; reagiu à nossa violência com a mansidão, reagiu ao nosso ódio com o Amor que perdoa: a Cruz é o acontecimento pelo qual o Amor de Deus entra na nossa história, aproxima-se de cada um de nós e torna-se experiência que regenera e salva. Não podemos deixar de notar um facto: desde o princípio do seu ministério, Jesus fala da «sua hora» (Jo 2, 4), uma hora «por causa da qual Ele veio» (Jo 12, 27), uma hora que Ele saúda com alegria, exclamando ao início da sua Paixão: «Chegou a hora» (Jo 17, 1). A Igreja guarda zelosamente a memória deste facto e no Credo, depois de ter afirmado que o Filho de Deus «encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem», logo a seguir exclama: «Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado». Foi crucificado por nós! Jesus, morrendo, embrenhou-Se na experiência dramática da morte tal como foi construída pelos nossos pecados; morrendo, porém, Jesus encheu de Amor o morrer e, consequentemente, encheu-o da presença de Deus: deste modo, com a morte de Cristo, a morte foi vencida, porque Cristo encheu a morte precisamente da força oposta ao pecado que o gerou: Jesus encheu-a de Amor! Através da fé e do baptismo, entrámos em contacto com a morte de Cristo, isto é, com o mistério do Amor com que Ele a viveu e venceu… e, assim, tem início a viagem do nosso regresso a Deus, regresso que terá o seu acabamento no momento da nossa morte vivida em Cristo e com Cristo: isto é, no Amor! Percorrendo o «Caminho da Cruz», deixa Maria guiar-te pela mão: pede-Lhe uma migalha da sua humildade e docilidade, para que o Amor de Cristo Crucificado penetre dentro de ti e reconstrua o teu coração segundo a medida do Coração de Deus. Boa caminhada! +ÂNGELO COMASTRI.
Cari fratelli e sorelle!
5. HOMILIA do Santo Padre no III Domingo da Quaresma e Homilia sobre o Dia de São José
Quest’oggi, 19 marzo, ricorre la solennità di San Giuseppe, ma, in coincidenza con la terza Domenica di Quaresima, la sua celebrazione liturgica è posticipata a domani. Tuttavia, il contesto mariano dell’Angelus invita a soffermarsi con venerazione sulla figura dello sposo della Beata Vergine Maria e Patrono della Chiesa universale. Mi piace ricordare che di San Giuseppe era molto devoto anche l’amato Giovanni Paolo II, il quale gli dedicò l’Esortazione apostolica Redemptoris Custos - Custode del Redentore e sicuramente ne sperimentò l’assistenza nell’ora della morte. La figura di questo grande Santo, pur rimanendo piuttosto nascosta, riveste nella storia della salvezza un’importanza fondamentale. Anzitutto, appartenendo egli alla tribù di Giuda, legò Gesù alla discendenza davidica, così che, realizzando le promesse sul Messia, il Figlio della Vergine Maria può dirsi veramente "figlio di Davide". Il Vangelo di Matteo, in modo particolare, pone in risalto le profezie messianiche che trovarono compimento mediante il ruolo di Giuseppe: la nascita di Gesù a Betlemme (2,1-6); il suo passaggio attraverso l’Egitto, dove la santa Famiglia si era rifugiata (2,13-15); il soprannome di "Nazareno" (2,22-23). In tutto ciò egli si dimostrò, al pari della sposa Maria, autentico erede della fede di Abramo: fede nel Dio che guida gli eventi della storia secondo il suo misterioso disegno salvifico. La sua grandezza, al pari di quella di Maria, risalta ancor più perché la sua missione si è svolta nell’umiltà e nel nascondimento della casa di Nazaret. Del resto, Dio stesso, nella Persona del suo Figlio incarnato, ha scelto questa via e questo stile nella sua esistenza terrena. Dall’esempio di San Giuseppe viene a tutti noi un forte invito a svolgere con fedeltà, semplicità e modestia il compito che la Provvidenza ci ha assegnato. Penso anzitutto ai padri e alle madri di famiglia, e prego perché sappiano sempre apprezzare la bellezza di una vita semplice e laboriosa, coltivando con premura la relazione coniugale e compiendo con entusiasmo la grande e non facile missione educativa. Ai Sacerdoti, che esercitano la paternità nei confronti delle comunità ecclesiali San Giuseppe ottenga di amare la Chiesa con affetto e piena dedizione, e sostenga le persone consacrate nella loro gioiosa e fedele osservanza dei consigli evangelici di povertà, castità e obbedienza. Protegga i lavoratori di tutto il mondo, perché contribuiscano con le loro varie professioni al progresso dell’intera umanità, e aiuti ogni cristiano a realizzare con fiducia e con amore la volontà di Dio, cooperando così al compimento dell’opera della salvezza.
Celebração Eucarística presidida pelo Santo Padre pelos Trabalhadores, 19.03.2006.
6. HOMILIA do Santo Padre na Quarta-feira de Cinzas
Às 09:30hs de hoje, III Domingo da Quaresma, O Santo Padre Bento XVI, presidiu na Patriarcal Basílica Vaticana a Santa Missa pelos Trabalhadores. Concelebraram com o Papa, entre outros, o Cardeal Camillo Ruini, Vigário Geral de Sua Santidade pela Diocese de Roma e Presidente da Conferência Episcopal Italiana; Mons. Giuseppe Betorti, Bispo Tit. de Falerone, Secretário Geral da CEI e Mons. Arrigo Miglio, Bispo de Ivrea, Presidente da Comissão Episcopal para os problemas socias e o trabalho, a justiça e a paz, o qual dirigiu ao início da celebração uma homenagem ao Santo Padre Bento XVI, parabenizando-o pelo onomástico do Papa. Publicamos em seguida o texto da homilia que o Santo Padre pronunciou depois da proclamação do Santo Evangelho: Caros Irmãos e Irmãs, ouvimos juntos uma página famosa do Livro do Êxodo, aquela no qual o autor sacro narra a entraga a Israel do Decálogo da parte de Deus. Um particular descponta de imediato: a anunciação dos mandamentos é introduzido fazendo referência à libertação do povo de Israel. Diz o texto: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz sair do país do Egito, da condição de escravo" (Ex. 20,2). O Decálogo, portanto, quer ser uma confirmação da liberdade conquistada. Com efeito os mandamentos, olhando-os em profundidade, são os meios que qu o Senhor nos dá para defender a nossa liberdade, seja dos condicionamentos internos das paixões como ainda das injustiças externas dos mal-intencionados. Os "NÃO" dos mandamentos são no entanto "SIM" ao crescimento de uma autêntica leberdade. Existe uma segunda dimensão do Decálogo que se encontra sublinhada: mediante a Lei dada pelas mãos de Moisés, o Senhor revela o quere fazer um pacto de Aliança com Israel. A Lei, no entanto, mais que uma imposição é um dom. Mais do que ordenar aquilo que o homem de fazer, essa quer manifestar a todos a escolha de Deus: Ele está da parte do povo eleito; libertou-o da escravidão e circunda-o coma sua bondade misericordiosa. O Decálogo é testemunho de um amor de predileção. Uma segunda mensagem nos oferece a Liturgia de hoje: a Lei mosaica encontrou pleno cumprimento em Jesus, que revelou a sabedoria e o amor de Deus mediante o mistério da Cruz, "escâncdalo para os judeus, loucura para os pagãos - como nos diz São Paulo na 2ª leitura -, mas para aqueles que são chamados, seja Judeus como Gregos ... potência de Deus e sabedoria de Deus" (1 Cor. 1,23-24). A este mistério faz referimento a página evangélica pouco antes proclamada: Jesus expulsa do templo os vendedores e os cambistas. O evangelista fornece a chave de leitura deste significativo epsódio através do versículo do Salmo: "o zelo pela tua casa me devora" (Cf. Sal. 69,10). É Jesus a ser "devorado" por este "zelo" pela "casa de Deus", usada para diversas finalidades por aqueles as quais seriam empregadas. Diante do pedido dos responsáveis, que pedem um sinal da sua autoridade, para espanto dos presentes Ele afirma: Destruí este templo e em três dias o farei ressurgir" (Jo. 2,19). Palavra misteriosa, incompreensível naquele momento, mas João reformula para os seus leitores cristãos, observando: "Ele falava do templo do seu Corpo" (Jo. 2,21). Aquele "templo" os seus adversários destruíram, mas Ele depois de 3 dias reconstruiu mediante a ressurreição. A dolorosa e "escandalosa" morte de Cristo teria sido coroada pelo triunfo da sua gloriosa ressurreição. Enquanto neste tempo quaresmal nos preparamos para reviver no tríduo pasqual este evento central da nossa salvação, nós já olhamos o Crucificado, vendo através dEle o esplendor do Ressuscitado. Caros irmãos e irmãs, a Celebração Eucarística de hoje, que une a meditação dos textos litúrgicos do III Domingo da Quaresma a recordação de São José, nos oferece a oportunidade de considerar, à luz do mistério pasqual, um outro aspecto importante da existência humana. Refiro-me a relidade do trabalho, colocada hoje ao centro das mudanças rápidas e complexas. A Bíblia em diversas páginas mostra como o trabalho pertence à condição originária do homem. Quando o Criador plasmou o homem a sua imagem e semelhança, convidou-o a trabalhar a terra (Cf. Gen. 2,5-6). Foi a causa do pecado dos progenitores que o trabalho se tornou fadiga e pena (Cf. Gen. 3,6-8), mas no progeto divino manteve inalterado o seu valor. O próprio Filho de Deus, fazendo-se em tudo semelhante a nós, se dedicou por muitos anos a atividade manual, tanto que ficou conhecido como o "filho do carpinteiro" (Cf. Mt. 13,55). A Igreja sempre mostrou, especialmente no último século, atenção e solicitude neste campo para com a sociedade, como testemunham os numerosos interventos sociais do Magistério e a ação das múltiplas associações de inspiração cristã, algumas das quais estão aqui hoje representando o mundo inteiro os trabalhadores. Sou feliz em acolher-vos, caros amigos, e dirijo-me a cada um de vós o meu cordial cumprimento. Um pensamento particular vai a Mons. Arrigo Miglio, Bispo de Ivrea e Presidente da Comissão Episcopal Italiana para os Problemas Sociais e o Trabalho, a Justiça e a Paz, que se fez intérprete dos comuns sentimentos e digiriu-me com cortesia expressões de felicitações pela minha festa de onomâstico. Lhe sou vivamente grato. O trabalho se reveste de importância primária para a realização do homem e para o desenvolvimento da sociedade, e por isto ocorre que seja sempre organizado e desenvolvido no pleno respeito da dignidade humana e ao serviço do bem comum. Ao mesmo tempo, é indispensável que o homem não se deixe tomar pelo serviço, que não o idolatri, pretendendo de incontrar nesse o sentido último e definitivo da vida. Em atenção, é oportuno o convite que contém na primeira leitura: "Recorda-te do dia de sábado para santificá-lo: seis dias trabalharás e farás todos os serviços; mas o sétimo dia é o sábado em honra ao Senhor, teu Deus" (Ex. 20,8-9). O sábado é dia santificado, isto é, consagrado a Deus, no qual o homem compreende melhor o sentido da sua existência e também da atividade do trabalho. Pode-se, portanto, afirmar que o ensinamento bíblico sobre o trabalho encontra o seu coroamento no mandamento do repouso. Oportunamente faz menção sobre o tema o Compêndio da Doutrina social da Igreja: "Ao homem, ligado à necessidade do trabalho, o repouso abre a prospectiva de uma liberdade mais plena, aquela do sábado eterno (Cf. Heb. 4,9-10). O repouso permite aos homens recordar e reviver a obra de Deus, da Criação à Ressurreição, de reconhecer-se a si mesmo como obra Sua (Cf. Efe. 2,10), de elevar ação de graças da própria vida e da sua própria subsistência, pois é Ele o autor" (n. 258). A atividade trabalhista deve servir ao verdadeiro bem da humanidad, permitindo "ao homem como singular ou como membro da sociedade de cultivar e de atuar a sua integral vocação" (Gaudium et Spes, 35). Para isto não basta a necessária qualificação técnica e profissional; não é sificiente nem mesmo a criação de uma ordem social justa e atenta aos bens de todos. É preciso viver uma espiritualidade que ajude aos crentes a santificar-se através do próprio trabalho, imitando São José, que todos os dias devia providenciar as necessidades da Santa Família com as suas mãos e que por isto a Igreja o aponta como Patrono dos Trabalhadores. O seu testemunho mostra que o homem é sujeito e protagonista do trabalho. Gostaria de confiar a Ele os jovens que, com fadiga, conseguem inserir-se nomundo do trabaho, os desocupados e aqueles que sofrem as dificuldades devido as crises ocupacionais. Junto com Maria, sua Esposa, olha São José sobre todos os trabalhadores e obtenha para as famílias e toda a humanidade serenidade e paz. Olhando para este grande Santo aprendam os cristãos a testemunhar em todos os campos de trabalhos o amor de Cristo, fonte de verdadeira solidariedade e de estável paz. Amém!
HOMILIA Durante a Santa Missa com o Rito da imposição das Cinzas, na Basílica de Santa Sabina Caminhemos rumo à Páscoa mais comprometidos na penitência, no jejum e no amor aos irmãos No dia 1 de Março, quarta-feira de Cinzas, Sua Santidade Bento XVI presidiu à procissão penitencial de santo Anselmo a santa Sabina no Aventino (Roma). Nesta Basílica, dirigida pelos Padres Pregadores, o Papa celebrou a Santa Missa com o Rito da imposição das Cinzas. Participaram na solene Celebração Cardeais, Arcebispos, Bispos, presbíteros, religiosos, religiosas e numerosíssimos fiéis. Apresentamos o texto da homilia do Santo Padre: Senhores Cardeais, Venerados Irmãos, no Episcopado e no Presbiterado, Amados irmãos e irmãs! A procissão penitencial, com a qual iniciámos a celebração de hoje, ajudou-nos a entrar no clima típico da Quaresma, que é uma peregrinação pessoal e comunitária de conversão e de renovação espiritual. Segundo a antiquíssima tradição romana das stationes quaresmais, durante este tempo os fiéis, juntamente com os peregrinos, todos os dias se reúnem e páram statio diante de uma das numerosas "memórias" dos Mártires, que constituem os fundamentos da Igreja de Roma. Nas Basílicas, onde estão expostas as suas relíquias, é celebrada a Santa Missa precedida de uma procissão, durante a qual se cantam as ladainhas dos Santos. Faz-se assim memória de quantos, com o seu sangue, deram testemunho de Cristo, e a sua evocação torna-se estímulo para cada cristão a renovar a própria adesão ao Evangelho. Não obstante o passar dos séculos, estes ritos conservam o seu valor, porque recordam como é importante, mesmo no nosso tempo, acolher sem compromissos as palavras de Jesus: "Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cuz, cada dia, e siga-Me" (Lc 9, 23). Outro rito simbólico, gesto próprio e exclusivo do primeiro dia da Quaresma, é a imposição das Cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata de mero ritualismo, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração. Ele faz-nos compreender a actualidade da admoestação do profeta Joel, que ressoou na primeira Leitura, advertência que conserva também para nós a sua validez saudável: aos gestos exteriores deve corresponder sempre a sinceridade da alma e a coerência das obras. De facto, para que serve pergunta o autor inspirado rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, isto é, do bem e da justiça? Eis aquilo que conta deveras: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia (cf. Jl 2, 12-18). Um coração renovado e um espírito novo: é isto que pedimos com o Salmo penitencial por excelência, o Miserere, que hoje cantamos com o refrão "Perdoai-nos, Senhor, porque pecámos". O verdadeiro crente, consciente de ser pecador, aspira inteiramente espírito, alma e corpo pelo perdão divino, como por uma nova criação, capaz de lhe restituir alegria e esperança (cf. Sl 50, 3.5.12.14). Outro aspecto da espiritualidade quaresmal é aquilo que poderíamos definir "agonístico", e sobressai na hodierna celebração "colecta", quando se fala de "armas" da penitência e do "combate" contra o espírito do mal. Todos os dias, mas sobretudo na Quaresma, o cristão deve enfrentar uma luta, como a que Cristo empreendeu no deserto da Judeia, onde durante quarenta dias foi tentado pelo diabo, e depois no Getsémani, quando rejeitou a extrema tentação aceitando totalmente a vontade do Pai. Trata-se de uma batalha espiritual, que se destina contra o pecado e, por fim, contra satanás. É uma luta que envolve totalmente a pessoa e exige uma vigilância atenta e constante. Santo Agostinho observa que quem deseja caminhar no amor de Deus e na sua misericórdia não pode contentar-se com a libertação dos pecados graves e mortais, mas "pratica a verdade reconhecendo também os pecados que se consideram menos graves... e vem à luz cumprindo obras dignas. Também os pecados menos graves, se forem descuidados, proliferam e causam a morte" (In Io. evang. 12, 13, 35). Por conseguinte, a Quaresma recorda-nos que a existência cristã é um combate incessante, no qual devem ser utilizadas as "armas" da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra qualquer forma de egoísmo e de ódio, e morrer para si mesmos para viver em Deus é o itinerário ascético que cada discípulo de Jesus está chamado a percorrer com humildade e paciência, com generosidade e perseverância. O dócil seguimento do Mestre divino torna os cristãos testemunhas e apóstolos de paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a ressaltar melhor também qual deva ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente não é a vingança, nem o ódio, nem sequer a fuga num espiritualismo falso. A resposta de quem segue Cristo é ao contrário a de percorrer o caminho escolhido por Aquele que, face aos males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo mas mais eficaz do amor. Nas suas pegadas e unidos a Ele, todos nós devemos comprometer-nos na oposição ao mal com o bem, à mentira com a verdade, ao ódio com o amor. Na Encíclica Deus caritas est quis apresentar este amor como o segredo da nossa conversão pessoal e eclesial. Reevocando as palavras de Paulo aos Coríntios: "O amor de Cristo nos constrange" (2 Cor 5, 14), realcei como "a consciência de que, n'Ele, o próprio Deus Se entregou por nós até à morte, deve induzir-nos a viver, não mais para nós mesmos, mas para Ele, para os outros" (n. 33). O amor, como recorda Jesus hoje no Evangelho, deve transformar-se em gestos concretos para o próximo, especialmente para os pobres e os necessitados, subordinando sempre o valor das "boas obras" à sinceridade da relação com o "Pai que está nos céus", que "vê o oculto" e que "recompensará" todos os que fazem o bem de maneira humilde e abnegada (cf. Mt 6, 1.4.6.18). A concretização do amor constitui um dos elementos fundamentais da vida dos cristãos, que são encorajados por Jesus a serem luz do mundo, para que os homens, vendo as suas "boas obras", glorifiquem a Deus (cf. Mt 5, 16). Esta recomendação chega até nós oportuna como nunca no início da Quaresma, porque compreendemos cada vez mais que "para a Igreja, a caridade não é uma espécie de actividade de assistência social... mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua prórpia essência" (Deus caritas est, 25, a). O amor verdadeiro manifesta-se em gestos que não excluem ninguem, a exemplo do bom Samaritano que, com grande abertura de alma, ajudou um desconhecido em dificuldade, encontrado "por acaso" na beira da estrada (cf. Lc 10, 31). Senhores Cardeais, venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado, queridos religiosos, religiosas e fiéis leigos, a quem saúdo com profunda cordialidade, entramos no clima típico deste período litúrgico com estes sentimentos, deixando que a palavra de Deus nos ilumine e nos guie. Na Quaresma sentiremos ressoar com frequência o convite a converter-nos a a crer no Evangelho, e seremos constantemente estimulados a abrir o espírito ao poder da graça divina. Façamos tesouro dos ensinamentos que a Igreja nos oferecerá abundantemente nestas semanas. Animados por um forte compromisso de oração, decididos a um esforço maior de penitência, de jejum e de atenção carinhosa para com os irmãos, caminhemos rumo à Páscoa, acompanhados pela Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de cada autêntico discípulo de Cristo. 7. ÂNGELUS - 05 de março de 2006: Praça de São Pedro - Roma-Itália
A Palavra do PAPA BENTO XVI na Recitação do Angelus À hora 12 de hoje o Santo Padre Bento XVI se apresenta a janela do seu ofício no Palácio Apostolico Vaticano para recitar o Ângelus com os fiéis e os peregrinos presentes na Praça São Pedro. Estas são as palavras do Papa ao introduzir a oração mariana: Caros irmãos e irmãs! Quarta-feira passada iniciamos a Quaresma e hoje celebramos o 1º domingo deste tempo litúrgico, que estimula os cristãos a empenhar-se em um caminho de preparação a Páscoa. Hoje, o Evangelho nos recorda que Jesus, depois de ter sido batizado no rio Jordão, impelido pelo Espírito Santo, que pousou sobre Ele revelando-o como o Cristo , se retiróu por quarenta dias no deserto de Judá, onde superou as tentações de satanás (cf. Mc. 1,12-13). Seguindo o seu Mestre e Senhor, também os cristãos para enfrentar juntos com Ele "o combate contra o espírito do mal" entram espiritualmente no deserto quaresmal. A imagem do deserto é uma metáfora bastante eloquente da condição humana. O Livro do Êxodo narra a experiência do povo de Israel que, saindo do Egito, peregrinou no deserto do Sinai por quarenta anos antes de chegar a terra prometida. Durante aquela longa viagem, os hebreus experimentaram toda a força e a insistência do tentador, que o impelia a perder a confiança no Senhor e a voltar atrás; mas, ao mesmo tempo, graças a mediação de Moisés, aprenderam a escutar a voz de Deus, que o chamava a tornar-se o seu povo santo. Meditando sobre esta página bíblica, compreendemos que para realizar plenamente a vida na liberdade é necessário superar a prova que a mesma liberdade comporta, isto é tentação. Somente libertada da escravidão da mentira e do pecado, a pessoa humana, graças a obediência da fé que abre a verdade, encontra o sentido pleno da sua existência e alcança a paz, o amor e alegria. Propriamente por esse fato, a Quaresma constitue um tempo favorável para uma atenta revisão de vida no recolhimento, na oração e na penitência. Os exercícios Espirituais que, como é tradição, terão desta tarde até ao sábado próximo que, no Palácio Apostólico, ajudarão a mim e os meus colaboradores da Cúria Romana a entrar com maior consciência nesta característica o clima quaresmal. Caros irmãos e irmãs, enquanto vos peço de acompanhar-me com as vossas orações, asseguro a vós uma recordação ao Senhor para que a Quaresma seja para todos os cristãos uma ocasião de conversão e de maior coragem o impulso para a santidade. Invocamos por este fato a materna intercessão da Virgem Maria. 8. Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para a Quaresma de 2006
«Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas» (Mt 9, 36). Caríssimos irmãos e irmãs! A Quaresma é o tempo privilegiado da peregrinação interior até Àquele que é a fonte da misericórdia. Nesta peregrinação, Ele próprio nos acompanha através do deserto da nossa pobreza, amparando-nos no caminho que leva à alegria intensa da Páscoa. Mesmo naqueles «vales tenebrosos» de que fala o Salmista (Sl 23, 4), enquanto o tentador sugere que nos abandonemos ao desespero ou deponhamos uma esperança ilusória na obra das nossas mãos, Deus guarda-nos e ampara-nos. Sim, o Senhor ouve ainda hoje o grito das multidões famintas de alegria, de paz, de amor. Hoje, como aliás em todos os períodos, elas sentem-se abandonadas. E todavia, mesmo na desolação da miséria, da solidão, da violência e da fome que atinge indistintamente idosos, adultos e crianças, Deus não permite que as trevas do horror prevaleçam. De facto, como escreveu o meu amado Predecessor João Paulo II, há um «limite imposto ao mal, (…) a Misericórdia Divina» (Memória e identidade, 58). Foi nesta perspectiva que quis colocar, ao início desta Mensagem, a observação evangélica de que «Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas» (Mt 9, 36). À luz disto, queria deter-me a reflectir sobre uma questão muito debatida pelos nossos contemporâneos: o desenvolvimento. Também hoje o «olhar» compassivo de Cristo pousa incessantemente sobre os homens e os povos. Olha-os ciente de que o «projecto» divino prevê o seu chamamento à salvação. Jesus conhece as insídias que se levantam contra esse projecto, e tem compaixão das multidões: decide defendê-las dos lobos, mesmo à custa da sua própria vida. Com aquele olhar, Jesus abraça os indivíduos e as multidões e entrega-os todos ao Pai, oferecendo-Se a Si mesmo em sacrifício de expiação. Iluminada por esta verdade pascal, a Igreja sabe que, para promover um desenvolvimento integral, é necessário que o nosso «olhar» sobre o homem seja idêntico ao de Cristo. De facto, não é possível de modo algum separar a resposta às necessidades materiais e sociais dos homens da satisfação das necessidades profundas do seu coração. Isto deve ser ressaltado muito mais numa época como a nossa, de grandes transformações, em que nos damos conta de forma cada vez mais viva e urgente da nossa responsabilidade em relação aos pobres do mundo. Já o meu venerado Predecessor Papa Paulo VI com exactidão classificava os danos do subdesenvolvimento como uma subtracção de humanidade. Neste sentido, ele denunciava, na Encíclica Populorum progressio, «as carências materiais dos que são privados do mínimo vital, e as carências morais dos que são mutilados pelo egoísmo... as estruturas opressivas, quer provenham dos abusos da posse ou do poder, da exploração dos trabalhadores ou da injustiça das transacções» (n. 21). Como antídoto para esses males, Paulo VI sugeria não só «a consideração crescente da dignidade dos outros, a orientação para o espírito de pobreza, a cooperação no bem comum, a vontade da paz», mas também «o reconhecimento, pelo homem, dos valores supremos, e de Deus que é a origem e o termo deles» (ibid.). Nesta linha, o Papa não hesitava em propor, «finalmente e sobretudo, a fé, dom de Deus acolhido pela boa vontade do homem, e a unidade na caridade de Cristo» (ibid.). Por conseguinte, o «olhar» de Cristo sobre a multidão obriga-nos a afirmar os verdadeiros conteúdos daquele «humanismo total» que, sempre segundo Paulo VI, consiste no «desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens» (ibid., n. 42). Por isso, a primeira contribuição que a Igreja oferece para o desenvolvimento do homem e dos povos não se consubstancia em meios materiais nem em soluções técnicas, mas no anúncio da verdade de Cristo que educa as consciências e ensina a autêntica dignidade da pessoa e do trabalho, promovendo a formação duma cultura que corresponda verdadeiramente a todas as exigências do homem. À vista dos tremendos desafios da pobreza de grande parte da humanidade, a indiferença e a encerramento no próprio egoísmo apresentam-se em contraste intolerável com o «olhar» de Cristo. O jejum e a esmola, juntamente com a oração, que a Igreja propõe de modo especial no período da Quaresma, são uma ocasião propícia para nos conformarmos àquele «olhar». Os exemplos dos Santos e as múltiplas experiências missionárias que caracterizam a história da Igreja constituem indicações preciosas quanto ao melhor modo de apoiar o desenvolvimento. Mesmo neste tempo da interdependência global, pode-se verificar como nenhum projecto económico, social ou político substitua aquele dom de si mesmo ao outro que brota da caridade. Quem age segundo esta lógica evangélica, vive a fé como amizade com o Deus encarnado e, como Ele, provê às necessidades materiais e espirituais do próximo. Olha-o como mistério incomensurável, digno de infinito cuidado e atenção. Sabe que, quem não dá Deus, dá demasiado pouco; como dizia frequentemente a Beata Teresa de Calcutá, a primeira pobreza dos povos é não conhecer Cristo. Por isso, é preciso levar a encontrar Deus no rosto misericordioso de Cristo: sem esta perspectiva, uma civilização não é construída sobre bases sólidas. Graças a homens e mulheres obedientes ao Espírito Santo, surgiram na Igreja muitas obras de caridade, visando promover o desenvolvimento: hospitais, universidades, escolas de formação profissional, micro-empresas. São iniciativas que, muito antes de outras fórmulas da sociedade civil, deram provas de sincera preocupação pelo homem por parte de pessoas animadas pela mensagem evangélica. Estas obras apontam uma estrada por onde guiar também o mundo de hoje para uma globalização que tenha, ao centro, o verdadeiro bem do homem e conduza assim à paz autêntica. Com a mesma compaixão que tinha Jesus pelas multidões, a Igreja sente hoje também como sua missão pedir, a quem tem responsabilidades políticas e competências no poder económico e financeiro, que promova um desenvolvimento baseado no respeito da dignidade de todo o homem. Um indicador importante deste esforço há-de ser a liberdade religiosa efectiva, entendida como possibilidade não simplesmente de anunciar e celebrar Cristo, mas de contribuir também para a edificação de um mundo animado pela caridade. Há que incluir neste esforço também a efectiva consideração do papel central que desempenham os autênticos valores religiosos na vida do homem enquanto resposta às suas questões mais profundas e motivação ética para as suas responsabilidades pessoais e sociais. Tais são os critérios sobre os quais os cristãos deverão aprender também a avaliar com sabedoria os programas de quem os governa. Não podemos esconder que foram cometidos erros ao longo da história por muitos que se professavam discípulos de Jesus. Não raramente eles, confrontados com problemas graves, pensaram que se deveria primeiro melhorar a terra e depois pensar no céu. A tentação foi considerar que, perante necessidades urgentes, se deveria em primeiro lugar procurar mudar as estruturas externas. Para alguns, isto teve como consequência a transformação do cristianismo num moralismo, a substituição do crer pelo fazer. Por isso, com razão observava o meu Predecessor, de venerada memória, João Paulo II: «A tentação hoje é reduzir o cristianismo a uma sabedoria meramente humana, como se fosse a ciência do bom viver. Num mundo fortemente secularizado, surgiu uma gradual secularização da salvação, onde se procura lutar sem dúvida pelo homem, mas por um homem dividido a meio, reduzido unicamente à dimensão horizontal. Ora, nós sabemos que Jesus veio trazer a salvação integral» (Enc. Redemptoris missio, 11). É precisamente a esta salvação integral que a Quaresma nos quer guiar, tendo em vista a vitória de Cristo sobre todo o mal que oprime o homem. Quando nos voltarmos para o Mestre divino, nos convertermos a Ele, experimentarmos a sua misericórdia através do sacramento da Reconciliação, descobriremos um «olhar» que nos perscruta profundamente e que pode reanimar as multidões e cada um de nós. Esse olhar devolve a confiança a quantos não se fecharem no cepticismo, abrindo à sua frente a perspectiva da eternidade feliz. Portanto, já na história – mesmo quando o ódio parece prevalecer –, o Senhor nunca deixa faltar o testemunho luminoso do seu amor. A Maria, «fonte viva de esperança» (Dante Alighieri, Paraíso, XXXIII, 12), confio o nosso caminho quaresmal, para que nos conduza ao seu Filho. De modo particular confio a Ela as multidões que, provadas ainda hoje pela pobreza, imploram ajuda, apoio, compreensão. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração uma especial Bênção Apostólica. Vaticano, 29 de Setembro de 2005. BENEDICTUS PP. XVI Para ver original: Click Aqui Voltar ao Topo da página 9. ÂNGELUS - 22 de janeiro de 2006: Praça de São Pedro - Roma-Itália
Ângelus: O Santo Padre reza na Praça São Pedro com os fiéis
10. Os Ídolos dos Religiosos.
A hora 12 de hoje o Santo Padre Bento XVI se aproxima da janela do seu Ofício no Palácio Apostólico Vaticano para recitar o Ângelus com os fiéis e os peregrinos presentes na Praça São Pedro. No acontecimento do quinto centenário de chegada a Roma do primeiro contingente da Guarda Suíca para a defesa do Papa e do Palácio Apostólico, se fez presença nesta manhã na Praça São Pedro uma apresentação em honra do Corpo da Guarda Suíca Pontificia. (Quinhentos anos, ou seja, em 22 de janeiro de 1506, o Papa Júlio II acolhia e abençoava o primeiro contingente da Guarda Suíça, que chegou a Roma para garantir a defesa da pessoa e do Palácio Apostólico. Nascia, assim a Guarda Suíça Pontifícia. Recordando aquelo histórico evento, estou feliz em saudar a quantidade que hoje compõe este honroso Corpo, o qual, em sinal de estima (apreciação) e de reconhecimento, concedo de coração uma especial Benção Apostólica) Estas são as palavras do Santo Padre, o Papa Bento XI, ao introduzir a oração mariana. Caros Irmãos e Irmãs! Este domingo se encontra na metade da "Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos", que em todos os anos é celebrado de 18 a 25 de janeiro. Se trata de uma iniciativa, que nasceu no início do século passado, que conheceu um desenvolvimento positivo, tornando-se sempre mais um momento Ecumênico como referimento, no qual os cristãos das diversas confissões em todo o mundo rezam e refletem, a partir de um mesmo texto bíblico. Para este ano foi escolhido o capítulo dezoito do Evangelho de Mateus, no qual Jesus dirige alguns ensinamentos à Comunidade dos Discípulos. Entre outras, Ele afirma: "Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali, estou eu no meio deles" Mt. 18, 19-20 (Bíblia de Jerusalém). Quanta confiança e quanta esperança infundi estas palavras do Senhor Jesus! Em particular, encoraja os cristãos a pedirem junto a Deus aquela plena união no próprio meio, pela qual o próprio Cristo, com forte insistência, rezou ao Pai na Última Ceia (cf. Jo. 17,11.21.23). Entende-se bem, então, o quanto é importante que nós cristãos invoquemos o dom da unidade com perseverança constante. Se fizermos com fé, podemos estar certos que o nosso pedido será atendido. Não sabemos como, nem quando, porque não cabe a nós conhecer, mas não devemos duvidar que um dia seremos "UM" (para que sejam um, como nós somos um: Jo. 17,22), como Jesus e o Pai estão unidos no Espírito Santo. A oração pela unidade constitui a alma do movimento ecumênico que, graças a Deus, progride no mundo inteiro. Sabemos, não faltam as dificuldades e as provas, mas também estas não são privadas de utilidades espirituais, porque nos expõe ao exercício da paciência e da perseverança e tende a crescer na caridade fraterna. Deus é amor, e somente convertendo-nos a ELE e aceitando a sua Palavra nos encontraremos todos unidos no único Corpo Místico de Cristo. A expressão, "Deus é Amor", que em latin soa "DEUS CARITAS EST", é o título da minha primeira Encíclica, que será publicada na quarta-feira próxima, festa da Conversão de São Paulo. Estou feliz que isto coincida com a conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristão: nesse dia estarei na Basílica de São Pedro para presidir as Vésperas, para quais serão escolhidas pessoas Representantes de outras Igrejas e Comunidades Eclesias. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós. Tradução livre do editor.
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OS ÍDOLOS DOS RELIGIOSOS
11. Homilia do Santo Padre na Festa da Epifania (06-01-2006) . . .É fácil cair na idolatria. As suas formas atuais são mais sofisticadas e menos ostensivas. A tentação idolátrica persegue-nos com mil artimanhas. Pa-rece contraditório com uma época que se declara agnóstica, secularizada e in-clusive atéia. Mas é assim! Quais são as realidades que absorvem toda nossa capacidade de adora-ção, de entrega e de generosidade no mundo atual? No plano social, destacam-se o “deus-dinheiro”, o “deus-prazer” e o “deus-poder”, com seus respectivos e variados sistemas religiosos. Seus grandes profetas promovem a superação de barreiras éticas contra o direito absoluto da propriedade particular e contra a suprema lei comercial da oferta e da procura; apregoam que, além do direito civil, não há nada que deva limitar a escolha dos meios que promovem o prestígio e a influência pessoal na sociedade; ensinam que a satisfação das tendências espontâneas e dos sentidos é requisito e ideal da felicidade. Esses deuses têm como templos os bancos, os restaurantes, os estádios, os super-mercados e shopping-centers, os clubes e muitos outros lugares. Universidades e escolas técnicas, meios de comunicação e sistemas de marketing ou propaganda empenham-se em criar e formar um “povo bem disposto” para o culto supra-mencionado. Os que antes freqüentavam regularmente as celebrações religiosas do Deus cristão, agora freqüentam – com regularidade nada inferior – os cultos que a nova religião programa. O culto do Deus verdadeiro, se ainda subsiste, é tão ocasional e superficial, que se torna vergonhoso. Os profetas anti-idolátricos não podem ficar calados. Necessitamos de novos Moisés, Jeremias, Oséias, Isaías, que nos questionem em nome de Deus e nos abram os olhos. Não será necessário, inclusive, que entrem em nossas comunidades religiosas e denunciem a idolatria que tenta também a nós?! Eis aqui os nossos setes ídolos ( e veja-se esse número como cifra simbólica! ): 1. Nosso EGO. A ego-latria faz que tudo gire em torno do nosso eu. Nós o defen-demos, justificamos, super-protegemos; às vezes, chegando a lesar o bem da comunidade, da missão, do relacionamento com Deus. Um excessivo cui- dado com a própria saúde, com a própria aparência física, com a imagem que transmitimos de nós mesmos, com nossos projetos, é manifestação de alguns aspectos da ego-latria. 2. Certa tranqüilidade e “descomplicação” de vida. Quando essa “tranqüilidade” nos leva a evitar qualquer situação de conflito e a excluir qualquer decisão radical, faz que uma situação cômoda se torne um deus que adoramos. Vivemos sem grandes paixões, sem grandes pecados e sem grandes virtudes. É render-nos ao Deus mediocridade. 3. O trabalho apostólico. Até mesmo o trabalho apostólico se converte em ídolo quando amamos mais a missão do Senhor do que o Senhor da missão; quando fazemos dele uma forma de auto-promoção, de prestígio ou de domínio, despreocupando-nos assim de estar autenticamente doando-nos ao serviço hu- milde e abnegado de Deus e do seu reino. 4. A própria oração pessoal. Também a oração se transforma em ídolo quando é pretexto para esquivar-nos de um compromisso sério com os irmãos ( a começar pela com-unidade ) ou para justificar-nos dessa falta de compromisso. O compromisso com os irmãos deve ser nutrido pela oração, sem dúvida, mas por uma oração que, expressando autêntico amor ao Senhor da oração, nos leve ser autênticos participantes da oração do Senhor: “Pai, não se faça o meu gosto mas a tua vontade”. 5. A amizade. Existem amizades que tomam conta do nosso centro afetivo e, assim, tornam-se idolátricas. Passam a ocupar indevidamente o tempo, a capacidade de doação de nós mesmos, a intensidade dos afetos, numa incoerência com a consagração radical da nossa pessoa e da nossa vida ao seguimento de Cristo no seu projeto existencial. Por causa delas, surgem discriminações pessoais. Ocupam tal espaço no coração e na mente que vamos ficando presos, progressivamente empobrecidos de atração pelo ideal, inclusive com o risco de esvaziar totalmente a paixão pela vida consagrada. 6. O habitat e a comida. Por uma espécie de contágio coletivo, nós ( religiosos ) estamos quase constantemente implicados em obras de reforma e re-mobiliação ou em qual-quer outro tipo de negócio referente às nossas casas ( algumas delas, com comodidade de hotéis de várias estrelas ). Nossa alimentação ( incluindo nela o lugar concedido às bebidas ) atinge, não raro, certo requinte ou excesso. Talvez seja para alguns...o seu principal prazer. 7. O rádio e a televisão. Existem religiosos que se tornaram tele-dependentes ( ou rádio-dependentes, internet-dependentes ). Consagram boa parte do seu tempo a esses meios de comunicação. Inclusive, o seu mundo de expectativas está freqüentemente marcado por eles. Aos programas favoritos, é dedicada uma participação fiel ( talvez mais fiel do que a certos compromissos com a vida oracional, comunitária e apostólica ). Enquanto alguma ou algumas dessas idolatrias vão tomando lugar em nossa vida, o verdadeiro Deus, nosso Deus-Trindade, contempla com des-agrado a má administração do tempo que lhe tínhamos consagrado, bem como nossas pre-ocupações, nossa admirável capacidade de lhes dedicar nosso afeto. Sim, nós também necessitamos de uma terapia que nos seja proporcionada pelo profetismo anti-idolátrico: “Tenho contra ti que esfriaste no teu primeiro amor. Portanto, lembra-te de que altura caíste e converte-te, voltando às tuas primeiras obras” (Ap 2, 4-5). ( Nota: Texto tirado e traduzido, com pequenas adatações, do livro “Un Largo Amanecer”, escrito por José Cristo Rey García Paredes C.M.F. ) OMELIA DEL SANTO PADRE Cari fratelli e sorelle!
12. ANGELUS - 18 de dezembro 2005La luce che a Natale è brillata nella notte illuminando la grotta di Betlemme, dove restano in silenziosa adorazione Maria, Giuseppe ed i pastori, oggi risplende e si manifesta a tutti. L’Epifania è mistero di luce, simbolicamente indicata dalla stella che guidò il viaggio dei Magi. La vera sorgente luminosa, il "sole che sorge dall’alto" (Lc 1,78), è però Cristo. Nel mistero del Natale, la luce di Cristo si irradia sulla terra, diffondendosi come a cerchi concentrici. Anzitutto sulla santa Famiglia di Nazaret: la Vergine Maria e Giuseppe sono illuminati dalla divina presenza del Bambino Gesù. La luce del Redentore si manifesta poi ai pastori di Betlemme, i quali, avvertiti dall’angelo, accorrono subito alla grotta e vi trovano il "segno" loro preannunciato: un bambino avvolto in fasce e deposto in una mangiatoia (cfr Lc 2,12). I pastori, insieme con Maria e Giuseppe, rappresentano quel "resto d’Israele", i poveri, gli anawim, ai quali è annunciata la Buona Novella. Il fulgore di Cristo raggiunge infine i Magi, che costituiscono le primizie dei popoli pagani. Restano in ombra i palazzi del potere di Gerusalemme, dove la notizia della nascita del Messia viene recata paradossalmente proprio dai Magi, e suscita non gioia, ma timore e reazioni ostili. Misterioso disegno divino: "la luce è venuta nel mondo, ma gli uomini hanno preferito le tenebre alla luce, perché le loro opere erano malvagie" (Gv 3,19). Ma che cos’è questa luce? E’ solo una suggestiva metafora, oppure all’immagine corrisponde una realtà? L’apostolo Giovanni scrive nella sua Prima Lettera: "Dio è luce e in lui non ci sono tenebre" (1 Gv 1,5); e più avanti aggiunge: "Dio è amore". Queste due affermazioni, unite insieme, ci aiutano a meglio comprendere: la luce, spuntata a Natale, che oggi si manifesta alle genti, è l’amore di Dio, rivelato nella Persona del Verbo incarnato. Attratti da questa luce, giungono i Magi dall’Oriente. Nel mistero dell’Epifania, dunque, accanto ad un movimento di irradiazione verso l’esterno, si manifesta un movimento di attrazione verso il centro, che porta a compimento il movimento già inscritto nell’Antica Alleanza. La sorgente di tale dinamismo è Dio, Uno nella sostanza e Trino nelle Persone, che tutto e tutti attira a sé. La Persona incarnata del Verbo si presenta così come principio di riconciliazione e di ricapitolazione universale (cfr Ef 1,9-10). Egli è la meta finale della storia, il punto di arrivo di un "esodo", di un provvidenziale cammino di redenzione, che culmina nella sua morte e risurrezione. Per questo, nella solennità dell’Epifania, la liturgia prevede il cosiddetto "Annuncio della Pasqua": l’anno liturgico, infatti, riassume l’intera parabola della storia della salvezza, al cui centro sta "il Triduo del Signore crocifisso, sepolto e risorto". Nella liturgia del Tempo di Natale ricorre spesso, come ritornello, questo versetto del Salmo 97: "Il Signore ha manifestato la sua salvezza, agli occhi dei popoli ha rivelato la sua giustizia" (v. 2). Sono parole che la Chiesa utilizza per sottolineare la dimensione "epifanica" dell’Incarnazione: il farsi uomo del Figlio di Dio, il suo entrare nella storia è il momento culminante dell’autorivelazione di Dio a Israele e a tutte le genti. Nel Bambino di Betlemme Dio si è rivelato nell’umiltà della "forma umana", nella "condizione di servo", anzi di crocifisso (cfr Fil 2,6-8). E’ il paradosso cristiano. Proprio questo nascondimento costituisce la più eloquente "manifestazione" di Dio: l’umiltà, la povertà, la stessa ignominia della Passione ci fanno conoscere come Dio è veramente. Il volto del Figlio rivela fedelmente quello del Padre. Ecco perché il mistero del Natale è, per così dire, tutto una "epifania". La manifestazione ai Magi non aggiunge qualcosa di estraneo al disegno di Dio, ma ne svela una dimensione perenne e costitutiva, che cioè "i Gentili sono chiamati, in Cristo Gesù, a partecipare alla stessa eredità, a formare lo stesso corpo, e ad essere partecipi della promessa per mezzo del vangelo" (Ef 3,6). Ad uno sguardo superficiale la fedeltà di Dio a Israele e la sua manifestazione alle genti potrebbero apparire aspetti fra loro divergenti; in realtà, sono le due facce della stessa medaglia. Infatti, secondo le Scritture, è proprio rimanendo fedele al patto di amore con il popolo d’Israele che Dio rivela la sua gloria anche agli altri popoli. "Grazia e fedeltà" (Sal 88,2), "misericordia e verità" (Sal 84,11) sono il contenuto della gloria di Dio, sono il suo "nome", destinato ad essere conosciuto e santificato dagli uomini di ogni lingua e nazione. Ma questo "contenuto" è inseparabile dal "metodo" che Dio ha scelto per rivelarsi, quello cioè della fedeltà assoluta all’alleanza, che raggiunge il suo culmine in Cristo. Il Signore Gesù è, nello stesso tempo e inseparabilmente, "luce per illuminare le genti e gloria del suo popolo Israele" (Lc 2,32), come, ispirato da Dio, esclamerà l’anziano Simeone prendendo il Bambino tra le braccia, quando i genitori lo presenteranno al tempio. La luce che illumina le genti – la luce dell’Epifania – promana dalla gloria d’Israele – la gloria del Messia nato, secondo le Scritture, a Betlemme, "città di Davide" (Lc 2,4). I Magi adorarono un semplice Bambino in braccio alla Madre Maria, perché in Lui riconobbero la sorgente della duplice luce che li aveva guidati: la luce della stella e la luce delle Scritture. Riconobbero in Lui il Re dei Giudei, gloria d’Israele, ma anche il Re di tutte le genti. Nel contesto liturgico dell’Epifania si manifesta anche il mistero della Chiesa e la sua dimensione missionaria. Essa è chiamata a far risplendere nel mondo la luce di Cristo, riflettendola in se stessa come la luna riflette la luce del sole. Nella Chiesa hanno trovato compimento le antiche profezie riferite alla città santa Gerusalemme, come quella stupenda di Isaia che abbiamo ascoltato poc’anzi: "Alzati, rivestiti di luce, perché viene la tua luce… Cammineranno i popoli alla tua luce, i re allo splendore del tuo sorgere" (Is 60,1-3). Questo dovranno realizzare i discepoli di Cristo: ammaestrati da Lui a vivere nello stile delle Beatitudini, dovranno attrarre, mediante la testimonianza dell’amore, tutti gli uomini a Dio: "Così risplenda la vostra luce davanti agli uomini, perché vedano le vostre opere buone e rendano gloria al vostro Padre che è nei cieli" (Mt 5,16). Ascoltando queste parole di Gesù, noi, membri della Chiesa, non possiamo non avvertire tutta l’insufficienza della nostra condizione umana, segnata dal peccato. La Chiesa è santa, ma formata da uomini e donne con i loro limiti e i loro errori. E’ Cristo, Lui solo, che donandoci lo Spirito Santo può trasformare la nostra miseria e rinnovarci costantemente. E’ Lui la luce delle genti, lumen gentium, che ha scelto di illuminare il mondo mediante la sua Chiesa (cfr Conc. Vat. II, Cost. Lumen gentium, 1). "Come potrà avvenire questo?", ci chiediamo anche noi con le parole che la Vergine rivolse all’arcangelo Gabriele. E proprio lei, la Madre di Cristo e della Chiesa, ci offre la risposta: con il suo esempio di totale disponibilità alla volontà di Dio – "fiat mihi secundum verbum tuum" (Lc 1,38) - Ella ci insegna ad essere "epifania" del Signore, nell’apertura del cuore alla forza della grazia e nell’adesione fedele alla parola del suo Figlio, luce del mondo e traguardo finale della storia. Così sia!
Cari fratelli e sorelle!
13. Mensagem de Natal do CARDEAL, Dom Geraldo Majella Agnelo.
In questi ultimi giorni dell’Avvento la liturgia ci invita a contemplare in modo speciale la Vergine Maria e san Giuseppe, che hanno vissuto con intensità unica il tempo dell’attesa e della preparazione della nascita di Gesù. Desidero quest’oggi rivolgere lo sguardo alla figura di san Giuseppe. Nell’odierna pagina evangelica san Luca presenta la Vergine Maria come "sposa di un uomo della casa di Davide, chiamato Giuseppe" (Lc 1,27). E’ però l’evangelista Matteo a dare maggior risalto al padre putativo di Gesù, sottolineando che, per suo tramite, il Bambino risultava legalmente inserito nella discendenza davidica e realizzava così le Scritture, nelle quali il Messia era profetizzato come "figlio di Davide". Ma il ruolo di Giuseppe non può certo ridursi a questo aspetto legale. Egli è modello dell’uomo "giusto" (Mt 1,19), che in perfetta sintonia con la sua sposa accoglie il Figlio di Dio fatto uomo e veglia sulla sua crescita umana. Per questo, nei giorni che precedono il Natale, è quanto mai opportuno stabilire una sorta di colloquio spirituale con san Giuseppe, perché egli ci aiuti a vivere in pienezza questo grande mistero della fede. L’amato Papa Giovanni Paolo II, che era molto devoto di san Giuseppe, ci ha lasciato una mirabile meditazione a lui dedicata nell’Esortazione apostolica Redemptoris Custos, "Custode del Redentore". Tra i molti aspetti che pone in luce, un accento particolare dedica al silenzio di san Giuseppe. Il suo è un silenzio permeato di contemplazione del mistero di Dio, in atteggiamento di totale disponibilità ai voleri divini. In altre parole, il silenzio di san Giuseppe non manifesta un vuoto interiore, ma, al contrario, la pienezza di fede che egli porta nel cuore, e che guida ogni suo pensiero ed ogni sua azione. Un silenzio grazie al quale Giuseppe, all’unisono con Maria, custodisce la Parola di Dio, conosciuta attraverso le Sacre Scritture, confrontandola continuamente con gli avvenimenti della vita di Gesù; un silenzio intessuto di preghiera costante, preghiera di benedizione del Signore, di adorazione della sua santa volontà e di affidamento senza riserve alla sua provvidenza. Non si esagera se si pensa che proprio dal "padre" Giuseppe Gesù abbia appreso – sul piano umano – quella robusta interiorità che è presupposto dell’autentica giustizia, la "giustizia superiore", che Egli un giorno insegnerà ai suoi discepoli (cfr Mt 5,20). Lasciamoci "contagiare" dal silenzio di san Giuseppe! Ne abbiamo tanto bisogno, in un mondo spesso troppo rumoroso, che non favorisce il raccoglimento e l’ascolto della voce di Dio. In questo tempo di preparazione al Natale coltiviamo il raccoglimento interiore, per accogliere e custodire Gesù nella nostra vita.
Mensagem de Natal: “A glória do Senhor os envolveu de luz” (cf. Lc 2,9)
14. ANGELUS - 11 de dezembro de 2005
Eis que anunciamos grande alegria para todos: Nasceu em Belém, Jesus, o Salvador. É o anúncio renovado a toda a humanidade e aos que acreditam na vida vencendo a morte, na luz vencendo as trevas. Acolhemos hoje o mesmo anúncio, olhando as necessidades de vida e esperança para todo o povo. O Messias prometido, fez que pobres e necessitados, pastores vindos de perto e magos, de longe, buscassem Aquele que veio ao encontro do ser humano, trazendo a salvação. Contemplamos o sentido do Mistério: Deus se fez carne e veio habitar entre nós! A luz que recobre nossas ruas e prédios, as luzes dentro de nossas casas, a expectativa gerada nesses dias, simbolizam o desejo de sermos hoje os anunciadores da luz de Deus que brilha no Natal. A celebração do Natal do Senhor renova a nossa esperança e nos compromete com os empobrecidos, necessitados e desempregados, com a defesa e promoção da vida, com a justiça e a paz, a reforma agrária; que a reconciliação supere violências e divisões, a força da união vença exclusões e as tristezas cedam lugar à alegria. O clima natalino contagia a todos, cristãos e pessoas de boa vontade, que se abrem à sua luz, construindo uma sociedade onde todos vivam unidos, independentemente de etnia, cultura ou credo religioso. Nasceu o esperado das nações, Aquele que dá o alento da graça e da vida nova, que todos os corações anseiam! Nós o acolhemos com alegria e queremos ser sinais dele em nossas famílias e comunidades. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil deseja ao povo brasileiro um santo Natal e um Ano novo repleto de bênçãos. Cardeal Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo de São Salvador da Bahia - Presidente da CNBB
Alle ore 12 di oggi il Santo Padre Benedetto XVI si affaccia alla finestra del suo studio nel Palazzo Apostolico Vaticano per
recitare l’Angelus con i fedeli ed i pellegrini convenuti in Piazza San Pietro. Queste le parole del Papa nell’introdurre
la preghiera mariana:
15. ANGELUS - 04 de dezembro de 2005
Cari fratelli e sorelle! Dopo aver celebrato la solennità dell’Immacolata Concezione di Maria, entriamo in questi giorni nel clima suggestivo della preparazione prossima al Santo Natale. Nell’odierna società dei consumi, questo periodo subisce purtroppo una sorta di "inquinamento" commerciale, che rischia di alterarne l’autentico spirito, caratterizzato dal raccoglimento, dalla sobrietà, da una gioia non esteriore ma intima. E’ dunque provvidenziale che, quasi come una porta d’ingresso al Natale, vi sia la festa di Colei che è la Madre di Gesù, e che meglio di chiunque altro può guidarci a conoscere, amare, adorare il Figlio di Dio fatto uomo. Lasciamo dunque che sia Lei ad accompagnarci; siano i suoi sentimenti ad animarci, perché ci predisponiamo con sincerità di cuore e apertura di spirito a riconoscere nel Bambino di Betlemme il Figlio di Dio venuto sulla terra per la nostra redenzione. Camminiamo insieme a Lei nella preghiera, e accogliamo il ripetuto invito che la liturgia dell’Avvento ci rivolge a restare nell’attesa, un’attesa vigilante e gioiosa perché il Signore non tarderà: Egli viene a liberare il suo popolo dal peccato. In tante famiglie, seguendo una bella e consolidata tradizione, subito dopo la festa dell’Immacolata si inizia ad allestire il Presepe, quasi per rivivere insieme a Maria quei giorni pieni di trepidazione che precedettero la nascita di Gesù. ostruire il Presepe in casa può rivelarsi un modo semplice, ma efficace di presentare la fede per trasmetterla ai propri figli. Il Presepe ci aiuta a contemplare il mistero dell’amore di Dio che si è rivelato nella povertà e nella semplicità della grotta di Betlemme. San Francesco d’Assisi fu così preso dal mistero dell’Incarnazione che volle riproporlo a Greccio nel Presepe vivente, divenendo il tal modo iniziatore di una lunga tradizione popolare che ancor oggi conserva il suo valore per l’evangelizzazione. Il Presepe può infatti aiutarci a capire il segreto del vero Natale, perché parla dell’umiltà e della bontà misericordiosa di Cristo, il quale "da ricco che era, si è fatto povero" (2 Cor 8,9) per noi. La sua povertà arricchisce chi la abbraccia e il Natale reca gioia e pace a coloro che, come i pastori a Betlemme, accolgono le parole dell’angelo: "Questo per voi il segno: un bambino avvolto in fasce, che giace in una mangiatoia" (Lc 2,12). Questo rimane il segno, anche per noi, uomini e donne del Duemila. Non c’è altro Natale. Come faceva l’amato Giovanni Paolo II, tra poco anch’io benedirò i Bambinelli che i ragazzi di Roma collocheranno nel Presepe delle loro case. Con questo gesto vorrei invocare l’aiuto del Signore perché tutte le famiglie cristiane si preparino a celebrare con fede le prossime feste natalizie. Ci aiuti Maria ad entrare nel vero spirito del Natale.
Cari fratelli e sorelle!
16. ANGELUS - 06 de novembro de 2005: Papa fala sobre a aprovação da Dei Verbum
In questo tempo d’Avvento la Comunità ecclesiale, mentre si prepara a celebrare il grande mistero dell’Incarnazione, è invitata a riscoprire e approfondire la propria relazione personale con Dio. La parola latina "adventus" si riferisce alla venuta di Cristo e mette in primo piano il movimento di Dio verso l’umanità, al quale ciascuno è chiamato a rispondere con l’apertura, l’attesa, la ricerca, l’adesione. E come Dio è sovranamente libero nel rivelarsi e nel donarsi, perché mosso soltanto dall’amore, così anche la persona umana è libera nel dare il suo, pur doveroso, assenso: Dio attende una risposta d’amore. In questi giorni la liturgia ci presenta come modello perfetto di tale risposta la Vergine Maria, che giovedì prossimo 8 dicembre contempleremo nel mistero dell’Immacolata Concezione. La Vergine è Colei che resta in ascolto, pronta sempre a compiere la volontà del Signore, ed è esempio per il credente che vive nella ricerca di Dio. A questo tema, come pure al rapporto tra verità e libertà, il Concilio Vaticano II ha dedicato un’attenta riflessione. In particolare, i Padri Conciliari hanno approvato, proprio quarant’anni or sono, una Dichiarazione concernente la questione della libertà religiosa, cioè il diritto delle persone e delle comunità a poter ricercare la verità e professare liberamente la loro fede. Le prime parole che danno il titolo a tale Documento sono "dignitatis humanae": la libertà religiosa deriva dalla singolare dignità dell’uomo che, fra tutte le creature di questa terra, è l’unica in grado di stabilire una relazione libera e consapevole con il suo Creatore. "A motivo della loro dignità – dice il Concilio – tutti gli uomini, in quanto sono persone, dotate di ragione e di libera volontà… sono spinti dalla loro stessa natura e tenuti per obbligo morale a cercare la verità, in primo luogo quella concernente la religione" (DH, 2). Il Vaticano II riafferma così la dottrina tradizionale cattolica per cui l’uomo, in quanto creatura spirituale, può conoscere la verità e, quindi, ha il dovere e il diritto di cercarla (cfr ivi, 3). Posto questo fondamento, il Concilio insiste ampiamente sulla libertà religiosa, che dev’essere garantita sia ai singoli che alle comunità, nel rispetto delle legittime esigenze dell’ordine pubblico. E questo insegnamento conciliare, dopo quarant’anni, resta ancora di grande attualità. Infatti la libertà religiosa è ben lontana dall’essere ovunque effettivamente assicurata: in alcuni casi essa è negata per motivi religiosi o ideologici; altre volte, pur riconosciuta sulla carta, viene ostacolata nei fatti dal potere politico oppure, in maniera più subdola, dal predominio culturale dell’agnosticismo e del relativismo. Preghiamo perché ogni uomo possa realizzare pienamente la vocazione religiosa che porta inscritta nel proprio essere. Ci aiuti Maria a riconoscere nel volto del Bambino di Betlemme, concepito nel suo seno verginale, il divino Redentore venuto nel mondo per rivelarci il volto autentico di Dio.
ANGELUS Piazza San Pietro Domenica,
17. A necessidade da vida comunitária . . .
Cari fratelli e sorelle! Il 18 novembre 1965 il Concilio Ecumenico Vaticano II approvò la Costituzione dogmatica sulla divina Rivelazione, "Dei Verbum", che costituisce una delle colonne portanti dell’intero edificio conciliare. Questo Documento tratta della Rivelazione e della sua trasmissione, dell’ispirazione e dell’interpretazione della Sacra Scrittura e della sua fondamentale importanza nella vita della Chiesa. Raccogliendo i frutti del rinnovamento teologico precedente, il Vaticano II pone al centro Cristo, presentandolo quale "il mediatore e insieme la pienezza di tutta la rivelazione" (n. 2). Infatti il Signore Gesù, Verbo fatto carne, morto e risorto, ha portato a compimento l’opera di salvezza, fatta di gesti e di parole, e ha manifestato pienamente il volto e la volontà di Dio, così che fino al suo ritorno glorioso non è da aspettarsi alcuna nuova rivelazione pubblica (cfr n. 3). Gli Apostoli e i loro successori, i Vescovi, sono i depositari del messaggio che Cristo ha affidato alla sua Chiesa, perché fosse trasmesso integro a tutte le generazioni. La Sacra Scrittura dell’antico e del nuovo Testamento e la sacra Tradizione contengono tale messaggio, la cui comprensione progredisce nella Chiesa sotto l’assistenza dello Spirito Santo. Questa stessa Tradizione fa conoscere il canone integrale dei Libri sacri e li rende rettamente comprensibili e operanti, così che Dio, il quale ha parlato ai Patriarchi e ai Profeti, non cessa di parlare alla Chiesa e, per mezzo di questa, al mondo (cfr n. 8). La Chiesa non vive di se stessa ma del Vangelo e dal Vangelo sempre trae orientamento per il suo cammino. La Costituzione conciliare Dei Verbum ha impresso un forte impulso alla valorizzazione della Parola di Dio, da cui è derivato un profondo rinnovamento della vita della Comunità ecclesiale, soprattutto nella predicazione, nella catechesi, nella teologia, nella spiritualità e nelle relazioni ecumeniche. È infatti la Parola di Dio che, per l’azione dello Spirito Santo, guida i credenti verso la pienezza della verità (cfr Gv 16,13). Tra i molteplici frutti di questa primavera biblica mi piace menzionare la diffusione dell’antica pratica della lectio divina, o "lettura spirituale" della Sacra Scrittura. Essa consiste nel rimanere a lungo sopra un testo biblico, leggendolo e rileggendolo, quasi "ruminandolo" come dicono i Padri, e spremendone, per così dire, tutto il "succo", perché nutra la meditazione e la contemplazione e giunga ad irrigare come linfa la vita concreta. Condizione della lectio divina è che la mente ed il cuore siano illuminati dallo Spirito Santo, cioè dallo stesso Ispiratore delle Scritture, e si pongano perciò in atteggiamento di "religioso ascolto". Questo è l’atteggiamento tipico di Maria Santissima, così come lo mostra emblematicamente l’icona dell’Annunciazione: la Vergine accoglie il Messaggero celeste mentre è intenta a meditare le Sacre Scritture, raffigurate solitamente da un libro che Maria tiene in mano, o in grembo, o sopra un leggìo. È questa anche l’immagine della Chiesa offerta dal Concilio stesso, nella Costituzione Dei Verbum: "In religioso ascolto della Parola di Dio…" (n. 1). reghiamo perché, come Maria, la Chiesa sia docile ancella della divina Parola e la proclami sempre con ferma fiducia, così che "il mondo intero ascoltando creda, credendo speri, sperando ami" (ibid.).
O clero secular daquele tempo era bem diferente do nosso:
mais numeroso, porém bem menos formado. Não havia seminários: de cada cem, apenas um clérigo freqüentava escolas;
a “catequese” era empírica e a residência dos curas não era hábito na casa paroquial. Santo Agostinho já havia
compreendido que só a “comunidade” poderia salvar o padre da mediocridade e da decadência; seguindo seu exemplo,
papas e bispos estimularam a constituição de “colégios de padres”, cujos membros renunciavam à propriedade privada.
Foi assim que se desenvolveram as sociedades de “cônegos regulares”, inspirados na regra dita de
Santo Agostinho: de São Vítor em Paris, de Windsheim na Olanda, os cônegos de Latrão, de Grand-Saint-Bernard,
de Saint-Maurice d’Agaune e obretudo os premonstratenses, fundados em 1120 por São Norberto, perto de Laon;
já em 1230, essa sociedade agrupava um milhar de comunidades. Os cônegos regulares estimularam no século XII
uma numerosa classe de padres vinculados ao ministério paroquiai. Os austeros cartuxos, instalados por são
Bruno no fim do século XI num agreste e solitário ponto das montanhas perto de Grenoble, não deixaram de ser
as testemunhas mudas de um Evangelho nunca suavizado.
Pierre Pierrard, “História da Igreja”, pp. 95-96.
18. Promoção da mulher, sacramento do matrimônio e o uso da aliança . . .Voltar ao Topo da página
Era todo o povo feudal que a Igreja tentava elevar ao
nível do Evangelho, essa mensagem que, verdadeiramente incorporada à vida, dá um sentido ao amor, ao dinheiro,
ao trabalho e ao poder. Falava-se muito de “amor cortês” no século XII. A promoção da mulher - à qual o culto
da Virgem não foi estranho - encontra na Igreja uma aliada. Percorrendo as coleções canônicas dos inumeráveis
concílios ou sínodos realizados no Ocidente no século XI, podem-se ver papas e bispos em luta
contra o adultério, o divórcio, a violação, o rapto, a luxúria, vícios que a violência feudal favorecia.
Aliás, os canonistas elaboraram nessa época a legislação sobre o casamento - a Igreja cerca de
ritos solenes e expressivos o pacto conjugal, essência do sacramento: daí o uso da aliança e a
bênção do leito conjugal. Respeito à mulher, mas também respeito a Deus, através do repouso d
ominical e no serviço aos pobres. A violência feudal pesava principalmente sobre os fracos.
Pierre Pierrard, “História da Igreja”, pp. 95-96.
19. Surge na França, A Paz de Deus e A Trégua de Deus . . .
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Desde o século XI, na França meridional, desenvolve-se um movimento em favor da paz. Esse movimento
assumiu duas formas complementares: a Paz de Deus, que protegia os não-combatentes, e a Trégua de Deus,
que limitava a guerra a certos dias. Os contraventores sofriam sanções eclesiásticas. Em Elna, um
concílio provincial (1027) interditou a guerra privada da noite de sábado até a manhã de segunda-feira;
em 1041, em Nice, a interdição cobriu quase toda a semana - de quarta-feira a segunda-feira.
Um sínodo de Narbona (1054) decide que seriam sagradas as datas litúrgicas do Advento, Natal,
Quaresma e as festas da Virgem e dos apóstolos. Em Clermont (1094), Urbano II inspirou o seguinte cânone:
“Os monges, os clérigos e as mulheres gozam cotidianamente a graça da paz de Deus; a quebra dessa paz
só é autorizada para as outras pessoas se elas forem atacadas de segunda-feira à sexta-feira”.
O I Concílio de Latrão (1123) ameaça de excomunhão aqueles que roubem os peregrinos. Da França, essas
instituições de paz passaram para a Espanha, a Alemanha, a Itália. Ainda que não tenham posto fim às
guerras, elas pelo menos habituaram os senhores feudais a resolver seus litígios pela via do direito,
já que as violências estavam excluídas pela asseguração, promessa solene da qual o suserano era
depositário e cuja violação acarretaria a pena de morte.
Pierre Pierrard, “História da Igreja”, pp. 95-96.
20. Surgimento da Cavalaria em prol da Igreja Católica . . .
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Surge nesse contexto histórico a cavalaria, como corpo bélico para a defesa dos mais fracos e dos
interesses dos senhores feudais, e principalmente para defender os bens e a doutrina da igreja católica.
Com esse fator, religioso, se deu a transformação da cavalaria - até então uma casta de Combatentes a
cavalo - em um corpo privilegiado dedicado a ideal religioso. Desde 878, João VIII propôs aos senhores
feudais que dirigissem seu ardor bélico contra os infiéis. No século XI, a Igreja intervém na cerimônia
de sagração dos cavaleiros: em presença de seu suserano e de seus pares, o jovem nobre devia fazer
provas de rua força e de suas aptidões; depois, o jovem tomava um banho e passava a noite em oração,
a espada pousada sobre o altar; a missa da manhã era seguida de um festim; depois, o jovem nobre,
perante numerosa assistência, recebia a espada benta com a bandoleira; coberto com sua armadura,
também benta por um padre, e depois de ter recebido suas insígnias de seu padrinho, ele ouvia o oficiante
dizer que ele deveria proteger especialmente os fracos, os pobres, as viúvas e os órfãos e se abster
de toda violência. Seria absurdo afirmar que todos os cavaleiros foram fiéis a seu juramento e que as
guerras da Idade Média foram isentas de qualquer mancha; a História Geral se encarregaria de desmentir
essa ingenuidade.
Pierre Pierrard, “História da Igreja”, pp. 96-97.
21. Surgimento do termo e atitude de cavalheirismo . . .
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Mas, de qualquer forma, se o termo “cavalheiresco” ficou com uma conotação de nobreza, isso não
seria resultado de uma longa tradição? Um Bayard e um são Luís não teriam sido possíveis se uma
certa gentileza - apanágio do verdadeiro cavaleiro -, tirada do modelo evangélico, não houvesse
humanizado os cavaleiros herdeiros dos brutos francos.
Pierre Pierrard, “História da Igreja”, pp. 96-97.
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